
A aceleração da inteligência artificial, a crescente preocupação com o controle dos dados e a preparação para novos riscos digitais devem remodelar de forma profunda as estratégias de negócios nos próximos anos. Nesse cenário, a Commvault (NASDAQ: CVLT), líder em soluções de resiliência cibernética e proteção de dados para ambientes de nuvem híbrida, projeta que 2026 marcará uma virada decisiva na forma como as empresas utilizam a IA, protegem suas informações e garantem a continuidade dos negócios.
Segundo Marcelo Rodrigues, diretor-geral da Commvault Brasil, a resiliência deixará de ser apenas uma camada de proteção para se tornar um elemento central da liderança, da confiança e da competitividade corporativa.
Confira a seguir as principais previsões que devem moldar a evolução da resiliência digital, da inteligência artificial e da proteção de dados ao longo de 2026:
1. Da experimentação ao futuro da IA autônoma
A inteligência artificial (IA) deixa de ser experimental e passa a operar com propósito. Em 2026, a IA conversacional ganha protagonismo não apenas no atendimento ao cliente e nas operações, mas também na própria gestão da resiliência. Em vez de processos técnicos complexos, equipes poderão acionar proteções, validar políticas e checar a prontidão de recuperação por meio de comandos em linguagem natural. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a integridade dos dados que alimentam esses modelos: se os dados forem comprometidos, a IA também será. Por isso, garantir a veracidade, rastreabilidade e capacidade de restauração da informação se torna essencial.
2. Soberania em nuvem como estratégia de negócio
A soberania da informação se consolida como prioridade estratégica. As organizações precisam ter liberdade para decidir onde seus dados ficam armazenados — em ambientes locais, privados ou em nuvens globais — sem perder visibilidade sobre quais leis se aplicam a essas informações. Arquiteturas passam a ser desenhadas já considerando esse controle, com criptografia, políticas de acesso e regras de conformidade acompanhando os dados entre diferentes regiões e nuvens. Quando a soberania é incorporada ao design, a conformidade deixa de ser apenas obrigação regulatória e se transforma em vantagem competitiva.
3. Identidade como base invisível da resiliência
Com ecossistemas digitais cada vez mais distribuídos, a identidade passa a ser o principal perímetro de segurança. Cada credencial, seja de uma pessoa ou de uma máquina, representa um risco potencial. Em 2026, identidade, dados e políticas de recuperação tendem a funcionar como um único sistema integrado. A recuperação de um incidente não será considerada completa se as identidades permanecerem comprometidas. Esse cenário se intensifica com a comunicação entre sistemas de IA de forma autônoma, exigindo total confiança sobre quem está interagindo antes de qualquer ação.
4. Data rooms e o uso seguro de dados para IA
As empresas percebem que seus projetos de IA não falham por falta de dados, mas pela dificuldade de acessar com segurança os dados que já possuem. Dados históricos deixam de ser apenas “backup de segurança” e passam a ser ativos estratégicos. Em 2026, ganham espaço ambientes seguros que conectam dados protegidos diretamente a plataformas de IA, com controle, classificação e conformidade. Assim, dados antes apenas armazenados passam a ser usados de forma responsável para gerar inteligência e acelerar a adoção da IA com menor risco.
5. Prontidão para a era quântica
Enquanto a IA domina o presente, a computação quântica surge como risco no horizonte. Informações protegidas hoje por algoritmos tradicionais poderão se tornar vulneráveis no futuro. Por isso, empresas passam a revisar seus métodos de criptografia, realizar levantamentos dos sistemas utilizados e preparar suas estruturas de backup e recuperação para lidar com novas exigências de segurança. A prontidão quântica deixa de ser uma previsão distante e se torna parte do planejamento de resiliência.
6. A arquitetura da liderança baseada em confiança
Governança, soberania e resiliência passam a convergir em um único objetivo: provar confiança. Conselhos e lideranças deixam de aceitar apenas garantias e passam a exigir evidências. Métricas de recuperação, trilhas de auditoria e validações ganham papel central na prestação de contas, principalmente em setores mais regulados. A autonomia digital só será sustentável se estiver acompanhada de controle, integridade e capacidade comprovada de recuperação.
7. Nova forma de medir a eficácia da cyber resiliência
Restaurar dados rapidamente já não é suficiente. Se as informações recuperadas não forem confiáveis, a mesma vulnerabilidade que provocou o incidente pode ser explorada novamente, gerando ciclos sucessivos de ataques e prejuízos. Por isso, ganha importância uma nova métrica: o tempo médio para uma recuperação limpa, que considera não só a velocidade da restauração, mas a garantia de que sistemas, infraestruturas e dados voltaram a operar em um estado seguro e validado.
Em resumo, em 2026 a resiliência deixará de ser apenas uma camada de proteção e passa a ser um diferencial estratégico de negócios. A maior autonomia da IA, a soberania sobre dados, a identidade confiável, o uso inteligente de informações históricas, o preparo para a era quântica e as novas métricas de recuperação moldam um cenário em que confiança, controle e capacidade de resposta passam a definir a maturidade digital das organizações.
Fonte: Revista Segurança
Autor: Eduardo Lopes, CEO da Redbelt Security
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